
Você está com fome. Desejando muito aquela tua comida preferida. Vamos supor que seja pizza. Ela chega bem quentinha, exalando aquele perfume inconfundível do queijo derretido com o aroma do orégano e o recheio que tu escolheu a dedo. O olho brilha. Tu sabe que brilha, não te faz.
Só de olhar pra aquela fatia suculenta tu consegue imaginar o sabor explodindo na boca e tu sabe reconhecer qual é aquela parte especial que vai te dar o extremo do prazer. Só que aí… o que tu faz? Começa pela borda. Mas tu não gosta tanto da borda. Mesmo assim ela é teu primeiro alvo. Não é ruim, mas tu fica guardando aquela partezinha especial pro fim.
Só que quando chega no fim e tu finalmente te permite comer o melhor do melhor, aquela tua espera já acabou, aquele teu desejo já está menor, o estômago já está cheio. E o prazer não é tão intenso quanto poderia ter sido se tu tivesse ido direto ao ponto. Se tu tivesse te permitido provar aquele intenso sabor logo de cara, no exato momento em que o teu desejo por aquilo era o maior possível, a experiência gastronômica teria sido ainda mais plena.
Quando eu passei a entender que isso vale muito mais do que guardar o melhor pro final, eu fui muito mais feliz. E isso é extensivo para todos os setores da vida.
Tenta e depois vem aqui me contar. =]

Oi, Camila. Isso faz muito sentido e me faz lembrar a história contada por uma amiga. Ela tinha uma tia que fora presenteada com um belíssimo conjunto de pratos. Guardava-os fechados na caixa para inaugurá-los num dia especial; semanas se passaram, meses, anos, décadas; até que um dia a tia dela partiu para um lugar onde pratos já não fazem mais sentido e o belíssimo conjunto de pratos, guardados até o fim da vida, permaneceram lacrados, novos, sem terem jamais ido à mesa numa celebração especialmente digna deles. Triste que uma vida tenha transcorrido sem um “dia especial”; mais ainda, triste que a beleza dos pratos esteja acima do melhor dia vivido por uma pessoa. Tivesse a tia da minha amiga lido teu texto, talvez tivesse experimentado uma fatia de pizza num de seus pratos belíssimos, começando pela parte mais farta em queijo e calabresa; talvez, também, ela olhasse para aquilo tudo e entendesse que o melhor da vida é pra ser vivido assim que for possível, pois amanhã talvez já não seja mais.
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