
A plataforma de streaming Sesc Digital disponibiliza, nesta terça-feira (7), uma curadoria de seis filmes, incluindo ficções e documentários de impacto cultural. Entre os destaques, estão o clássico documentário restaurado “Let’s Get Lost”, de Bruce Weber, o suspense “Misericórdia”, de Alain Guiraudie, e o terror cult canadense “Scanners”, de David Cronenberg. A programação se completa com três documentários brasileiros que resgatam memórias e personagens: “Top Models”, “Luana Muniz: Filha da Lua” e “Cinemagia: A História das Videolocadoras de São Paulo”. Todos os títulos podem ser assistidos gratuitamente, sem necessidade de cadastro, até 7 de dezembro de 2025.
Considerado um dos mais belos e sombrios retratos já feitos sobre um músico, “Let’s Get Lost” (1988), em versão restaurada em 4K, transforma a vida do trumpetista e vocalista Chet Baker em uma elegia em preto e branco. Bruce Weber captura tanto o magnetismo do trompetista nos anos 1950, quando se tornou símbolo de uma geração, quanto sua derrocada marcada pelo vício e pela marginalidade. O filme revela um homem dividido entre glória e decadência, transcendendo o gênero e dialogando com a própria natureza do jazz: improvisada, melancólica e intensamente humana.
O cineasta francês Alain Guiraudie, conhecido pelo thriller queer “Um Estranho no Lago” (2013), transforma o cotidiano em tensão em “Misericórdia” (2024). A história de Jérémie, que retorna à sua cidade natal para um funeral e se vê envolvido em desaparecimentos e segredos, é contada com a ambiguidade característica do diretor. Entre o suspense e a sensualidade, a obra cria um clima de incerteza permanente.
O thriller de ficção científica “Scanners” (1981) é um marco do cinema de terror cult dos anos 1980, que impulsionou o diretor David Cronenberg à sua fama internacional. Articulando o horror corporal e paranoia política, o filme aborda indivíduos dotados de poderes psíquicos, perseguidos e instrumentalizados por corporações. A obra se tornou célebre pela visceralidade de suas imagens e permanece atual ao discutir controle, vigilância e manipulação mental.
Entre os filmes brasileiros, estão “Top Models” (2011), que, ao acompanhar 24 modelos brasileiras que conquistaram passarelas internacionais, traça não apenas um retrato da moda, mas também do impacto cultural do país no mercado global. Com nomes como Gisele Bündchen e Isabeli Fontana, o documentário revela como a presença brasileira redefiniu padrões estéticos e consolidou o Brasil como referência mundial no setor. A obra também abre espaço para refletir sobre os bastidores da fama, entre sacrifícios pessoais e conquistas profissionais.
Mais do que a “Rainha da Lapa”, “Luana Muniz: Filha da Lua” (2021), de Rian Córdova e Leonardo Menezes, apresenta a travesti e ativista como símbolo de resistência e afeto. O filme resgata sua vida entre a prostituição, a luta por direitos e a performance artística, evidenciando sua capacidade de transitar entre universos diversos e estabelecer diálogos improváveis, como sua amizade com Alcione e o padre Fábio de Melo. O documentário torna-se um registro essencial sobre memória LGBT no Brasil, mostrando a força de uma figura que transformou preconceito em luta.
Para além da nostalgia, “Cinemagia: A História das Videolocadoras de São Paulo” (2017) revisita as locadoras como espaços de formação cultural e descoberta coletiva. Entre fitas VHS e DVDs, surgiram novas formas de acesso ao cinema e experiências que marcaram gerações. O documentário reúne depoimentos de donos, críticos e frequentadores, reconstruindo um capítulo da história do audiovisual que antecedeu o streaming e deixou marcas na memória afetiva da cidade.
Os filmes ficam disponíveis na plataforma, com acesso gratuito pelo site sesc.digital ou pelo aplicativo Sesc Digital, disponível nas lojas Google Play e App Store.
