
O cartunista Mauricio de Sousa já assistiu pelo menos cinco vezes ao filme “Turma da Mônica: Laços”, lançado no fim do mês passado. “Já sei de cor!”, me disse o criador da trupe, em entrevista para o Set Guaíba. Pelo menos agora já consegue conter um pouco da emoção que ficou nítida em um vídeo publicado pelo diretor Daniel Rezende, em que Mauricio aparece em lágrimas ao final da primeira projeção ainda em pré-estreia. “Esquece aquele vídeo… Não gosto de me ver chorando. Eu choro fazendo careta”, brincou.
Assim como o pai da turma, mais de um milhão de espectadores já foram ao cinema conferir o live-action de um dos maiores fenômenos de popularidade do país. “É mais um marco. Estamos completando sessenta anos do estúdio funcionando ininterruptamente e o filme virou um dos nossos maiores marcos”, comemorou Mauricio. O cartunista não podia imaginar, em 1959, que os dois primeiros personagens – Bidu e Franjinha – resultariam em um grupo ainda maior que renderia mais de um bilhão e duzentos milhões de revistas vendidas, contratos com cerca de 150 empresas em três mil itens, além de parques de diversão, shows e participações em eventos.
Talvez o fenômeno se explique porque é muito fácil se identificar com algum dos personagens, ou pelo menos com alguma característica de cada um. Tomar como inspiração os filhos, parentes e amigos, fez com que o autor criasse uma atmosfera de proximidade e familiaridade das histórias com os leitores, sendo eles crianças ou adultos.
“Eu punha neles a vivência. Mônica, Magali, Cebolinha e outros personagens que são meus filhos… Vivi com eles, via neles as emoções, eu sentia as coisas que eles estavam querendo, buscando, não gostando. Tudo isso eu transferi para os quadrinhos e funcionou muito bem. Nossos personagens têm humanidade”, disse.
Em algum momento foi preciso migrar do papel para o mundo digital. As animações no Youtube, por exemplo, já chegam a 10 bilhões de views, com mais de 11 milhões de inscritos. Os personagens, no entanto, estão sendo preservados da invasão virtual, priorizando as relações humanas. Mauricio contou que, apesar de eventualmente aparecerem nas histórias dispositivos como celulares, computadores e games, prefere manter a turma brincando livremente, “faceiros na rua”, como o Chico Bento na roça, pescando e colhendo frutas das árvores. Assim, a história pode levar o leitor – independente da idade – a momentos que tiveram ou que sonharam viver.
Homenagem em Gramado
“Dei pulinhos de alegria quando soube e vou estar em Gramado para receber as honras pessoalmente e matar saudade da cidade que eu adoro também”, comemorou o cartunista, que receberá o Troféu Cidade de Gramado, no 47º Festival de Cinema em agosto.
Everton Cebolinha
Não podia deixar de perguntar sobre como Mauricio se sentiu ao ver o jogador do Grêmio, Everton Cebolinha, em destaque na Seleção Brasileira durante a Copa América: “O Cebolinha é um presente que eu ganhei. Toda vez que o vejo jogando bem, corajoso como ele é, fico mais satisfeito ainda porque está sendo lembrado um personagem meu”, me contou nosso querido Mauricio.
