Thiago Ramil - Divulgação © Guilherme Bragança_2 (2)

Mais do que uma alusão a seguir em frente ou o convite para um enfrentamento – que numa primeira visão pode ser completamente adequado para o momento atual -, o novo álbum de Thiago Ramil chega, através de financiamento coletivo, para criar frentes. O disco EmFrente, a ser lançado no dia 3 de agosto nas plataformas de streaming, foi concebido através da intenção do artista em mobilizar seu público. Para o músico, financiamento coletivo é algo “muito sincero. Acho que é uma relação muito direta do artista com o seu público. E do público realmente tornar possível e fazer parte, de fato, daquilo que ele quer consumir”.

Thiago lembra que financiamentos coletivos são uma maneira de tornar vivo o trabalho artístico independente e que o nome do novo trabalho está relacionado a isso. “Não só no sentido do enfrentamento, mas também na ideia de constituir frentes, que eu acho que é uma coisa muito importante da gente conseguir fazer e pensar. Então, não é o primeiro sentido que a gente pensa. A gente tá pouco acostumado a usar o termo ‘frente’ pra pensar em coletivo, na força de um grupo mesmo. Foi uma escolha inclusive, para poder constituir uma frente, pra conseguir dar continuidade ao meu trabalho a partir da relação com meu público”, me disse Thiago em entrevista no último sábado durante o Guaíba Fim de Semana, na Rádio Guaíba.

Thiago fala com leveza e a voz é quase um abraço. A conversa com ele fluiu e meia hora foi pouco. Começamos falando sobre o disco, permeamos os financiamentos coletivos e acabamos tocando num ponto que eu havia planejado evitar: a família Ramil. É indiscutível a qualidade dos artistas da família, como os tios dele Kleiton, Kledir e Vitor, ou a prima Karina (que é atriz do Porto dos Fundos) e o primo Ian (com quem viajou para Las Vegas, recentemente, para participar do 17º Grammy Latino), além de tantos outros que ele mesmo citou na entrevista. Mas eu sempre tento ter muito cuidado para não cair no limbo das comparações. Referências, sim. Influências, também. Comparar eu acho um tanto perigoso.

Ainda assim, perguntei: “Quando eu penso sobre famílias, como a Ramil que tem grandes nomes, me pergunto se é dom (não acredito muito em dom apenas, como palavra isolada), se é só a influência, ou se é por ter nascido no meio… Como é pra ti?”.

Eis a resposta: “Eu concordo contigo. Sempre penso muito a partir desse espaço de convivência, dessa formação cultural mesmo que a gente acaba tendo na proximidade. E com certeza, o fato de a gente ter crescido num ambiente muito artístico, crescer próximo dos meus tios já com esse universo musical latente e presente, é um negócio que nos formou muito. Nos impulsiona a seguir um pouco essa carreira”.

Interrompi: “É uma pressão também?”

E ele: “Eu acho que tem uma responsabilidade. Não levo como uma pressão, mas eu levo como um compromisso. Meus tios têm um trabalho muito refinado, muito rigoroso. Eles mesmos são rigorosos com seu próprio trabalho. Então, isso pra mim é mais uma referência. No sentido de ‘se eu for fazer algo, não posso fazer de qualquer jeito, ainda mais se eu quero me colocar como um Ramil também’. Então, não é uma pressão, mas é uma responsabilidade”.

A família estará perto no show de lançamento, no dia 09 de agosto no Theatro São Pedro, com Gutcha Ramil nas percussões, nos violinos e nos vocais. Eu não ouvi o disco completo, mas a palinha dada por Thiago durante o programa é um excelente exemplar que será um dos grandes discos de 2018.

Sobre o disco

O disco foi produzido por Guilherme Ceron e Thiago Ramil, com Gutcha Ramil (percussões/violinos/vocais), Andressa Ferreira (percussões), Guilherme Ceron (baixo), Lorenzo Flach (guitarra), Pedro Petracco (bateria) e Felipe Zancanaro (percussões/efeitos). As canções do novo disco foram compostas em sua grande maioria entre os anos de 2016 e 2017, com algumas canções mais antigas que foram revisitadas. O projeto gráfico da capa/encarte de EmFrente é assinado pelo artista visual mineiro Fábio Baroli, que tem um extenso currículo e participou de diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior.

Sobre o lançamento

09 de agosto, quinta, 21h – Theatro São Pedro

Ingressos: Plateia: R$ 40,00 / Camarote central: R$ 30,00 / Camarote lateral: R$ 25,00 / Galerias: R$ 20,00 / Com meia-entrada para associados da AATSP, idosos, estudantes, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência. Ingressos à venda nas bilheterias do Theatro São Pedro.